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Documentário JK no exílio

Publicado em: 27 de agosto de 2021
JK no exílio
Dia 14 de setembro de 2021 às 20h em youtube.com/charlescesconetto

Um episódio praticamente desconhecido do grande público na biografia do ex-presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek.

JK foi vítima, em 1964, de uma grande campanha difamatória por parte dos militares, para afastá-lo do cenário político, a fim de permanecerem no poder, já que ele era um forte candidato para vencer as eleições de 1965.

Para ascenderem ao poder, os militares precisavam, no senado, do apoio do PSD, presidido na época por Juscelino Kubitschek. Pressionado, JK fez um acordo, mediante a promessa dos militares de que garantiriam as eleições diretas para presidente no ano seguinte.

Assim que os militares tomaram posse, cassaram os direitos do ex-presidente, que teve que partir para o exílio, situação com a qual JK teve que conviver pelo período de três anos, sendo que um deles em Paris.

E foi para a capital francesa que eu, enquanto diretor do documentário, levei Maria Estela Kubitschek, filha do ex-presidente, acompanhada de seu marido Rodrigo Lopes, em 2010, para revisitar a história do que, segundo o próprio presidente, foram os dias mais dramáticos de sua vida.

Maria Berengas & Maria Estela

Acusado de ser multimilionário, JK vivia em Paris em condições muito modestas, com ajuda financeira de amigos que levavam dinheiro a ele para que pudesse sobreviver. Amante do Brasil, homem dedicado a trabalhar por soluções que pudessem ajudar a melhorar as condições dos brasileiros, Juscelino teve que se manter afastado de seu país, de seus amigos, de sua família e de seu povo. Segundo seus escritos e relatos de amigos, isto representava para ele um grande martírio.

Em Paris, JK era vigiado por espiões do serviço de inteligência francês, a pedido do governo Brasileiro, e todas as suas correspondências eram lidas pela polícia antes de chegarem ao destino.

Maria Estela Kubitschek e Rodrigo Lopes encontram-se em Paris com José Maurício Bustani, embaixador do Brasil na França, com Monique Jourdet, amiga da família, mas principalmente com Maria Alice Berengas, secretária pessoal de Juscelino, que o ajudou a escrever suas memórias e guardou por muitos anos o que sabia sobre a vida dos Kubitschek naqueles anos difíceis.

Maria Alice Berengas teve seu passaporte confiscado em 1964, quando acompanhou JK e Sarah em uma viagem obrigatória ao Brasil e, perseguida pela polícia política, teve que fugir para a França, escondida em um navio, para nunca mais retornar ao seu país natal. Era intenção dos realizadores do documentário providenciar a restituição da nacionalidade a Maria Alice, que durante todos estes anos manteve-se apátrida, assim como proporcionar-lhe uma viagem para que pudesse rever sua terra. Devido à idade avançada e a problemas de saúde, seu médico a proibiu de atravessar o Atlântico, mas felizmente sua nacionalidade foi restituída e está documentada no filme.

Após a jornada de resgate histórico na França, a equipe do documentário, de volta ao Brasil, entrevistou amigos de JK que o haviam visitado no exílio, como Affonso Heliodoro, Arnaldo Niskier, Carlos Heitor Cony, Carlos Murilo Felício dos Santos, Murilo Melo Filho e Oscar Niemeyer. É uma lástima que alguns deles já não estejam mais entre nós, mas felizmente o filme foi feito a tempo para que eles pudessem deixar registrados os seus depoimentos.

O documentário revela filmagens de JK na época do exílio, obtidas junto ao INA, Instituto Nacional do Audiovisual da França, produzidas por canais de TV e empresas cinematográficas como a FOX, proporcionando cenas curiosas e inéditas como as de JK dando uma entrevista em francês.

O historiador, jornalista e economista Ronaldo Costa Couto costura o filme com suas reflexões e a leitura de algumas cartas de JK que demonstram as dificuldades que o exílio representava para o ex-presidente.

O filme foi idealizado por Carlos Alberto Antunes Maciel, professor, pesquisador, perito judicial e tradutor, quando conheceu Maria Alice, na França, país onde ele vive desde a década de 70, e foi financiado através da lei Rouanet, com o apoio das empresas TAESA e TBE, retransmissoras da CEMIG.

O lançamento do documentário foi definido para acontecer no YouTube, às 20 horas do dia 14 de setembro de 2021, em homenagem a JK, pelo dia de seu aniversário, comemorado dois dias antes. 
Para assistir ao trailer e saber mais, basta acessar o site JK NO EXÍLIO – o filme.

Ajude a casa de JK

Juntamente com o lançamento do filme, é realizada uma campanha para levantamento de fundos a fim de ajudar a manter a casa onde nasceu Juscelino Kubitschek, na cidade de Diamantina, transformada em um museu que guarda boa parte de suas memórias.

A CASA DE JK não recebe auxílio de recursos públicos e perdeu sua receita oriunda de visitações, pois ficou fechada desde março de 2020, em virtude da pandemia.

No site do filme, você pode fazer uma visita virtual na casa de JK e efetuar doações, ou ainda adquirir produtos, cuja receita é destinada à manutenção do museu.

JK no exílio

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