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Dia nacional da mulher – 30 de abril

Publicado em: 27 de abril de 2021
Dia Nacional da Mulher

Nunca será demais aproveitar uma oportunidade para refletir sobre a situação das mulheres em nossa sociedade e agir no sentido de mudar a sua histórica condição. Apesar do dia internacional da mulher ser comemorado no dia 8 de março, no Brasil o dia 30 de abril também é dedicado a elas. É o dia nacional da mulher.

A constituição de 1934 promoveu, pela primeira vez, a igualdade entre os sexos. De lá para cá, as mulheres conquistaram, através de muitas lutas, outros direitos, como a possibilidade de votarem e de serem eleitas e a proibição da diferença salarial por motivo de sexo, mas estamos longe de termos superado os problemas da condição da mulher em nossa sociedade. 

Vivemos ainda uma realidade machista, preconceituosa, misógina e sexista, em que a mulher sofre com a desigualdade de gênero, a violência, o feminicídio, a cultura do assédio, a dificuldade de inserção no mercado de trabalho, salários inferiores aos dos homens, continuam acumulando sozinhas o trabalho fora de casa, o cuidado com os filhos, a administração da casa e muito mais. A sociedade dominada pelos homens fez acreditar que as mulheres não podem se defender sozinhas e foram colocadas no papel de dependentes e auxiliares deles.

A mulher ainda objeto

Carol Adams, autora do livro “A política sexual da carne”, relaciona a opressão da mulher com a opressão dos animais. Ambos passam pelo processo de objetificação, fragmentação e consumo. Assim como a sociedade retira da carne a referência ao animal, retira da mulher a referência ao ser humano. São igualmente pedaços de carne a serem consumidos.

A lógica do patriarcado existe para manter a propriedade, que nesta sociedade é mais importante que a liberdade e até mesmo que a vida. Quem mantém o patriarcado não são apenas os homens, como alguns imaginam, mas todos, homens e mulheres, mergulhados em uma cultura transmitida de geração em geração. É uma construção social constante, mantida por instituições como a família, a igreja, a escola e as forças armadas, nas quais não apenas homens, mas também mulheres ajudam a perpetuar conceitos e valores.

Homem, um conceito degradê

Se os homens não são viris são criticados, se demonstram sentimentos são diminuídos. Há uma constante cobrança sobre os homens para que sejam fortes e vencedores. Eles precisam demonstrar isso a todo momento, pois qualquer descuido pode ser um indício de homossexualidade, o que é considerada a pior das desgraças para uma família tradicional.  Termos como “você não é homem o suficiente” explicitam que ser homem não é exatamente ser do sexo masculino, mas sim uma determinada qualidade com variabilidade quantitativa.

A classificação entre ser homem ou homosexual não é dual, mas gradual. A pessoa é mais homem ou menos homem. Existe uma incômoda supervisão social constante para medir o grau de masculinidade do homem, a fim de selecionar os mais viris, os mais durões, os mais machos, o que lhes proporcionará vantagens e facilidades. No sentido oposto, existe uma desqualificação gradual que coloca em dúvida a masculinidade dos homens, caso eles sejam menos duros, mais introspectivos, gostem de arte ou sejam mais sensíveis. Esta dúvida social dificulta a vida desses homens, ou até mesmo promove a exclusão ou a eliminação deles.

Tanto homens quanto mulheres participam desse processo de qualificação, desqualificação, inclusão e exclusão. Diante desta situação, os homens, ao invés de viverem a sua verdade e buscarem a sua essência, procuram se adequar aos padrões sociais.

Para justificar a dominação do homem, a sociedade usa a teoria darwiniana de um mundo competitivo em que alguns têm o direito natural ao privilégio, devido às suas “qualidades superiores”. Esta mesma sociedade tratou de menosprezar e desacreditar a inconveniente teoria de Lamark, que defendeu que a natureza é colaborativa. Se quisermos um mundo mais justo, será necessário revisar a teoria darwiniana, pois ela tem um grande poder de manutenção de qualquer lógica de dominação geradora de injustiças, infelicidade e violência.

Dia Nacional da Mulher
Foto: Cerqueira

Mudança no ar

À mulher coube no passado principalmente os papéis de mãe, esposa, educadora dos filhos, organizadora do lar, auxiliar dos homens no trabalho, inspiradora para poetas, modelo para pintores, tentadora e agente do diabo para padres. Enquanto isso, o homem reservava para si os papéis de empresário, redator de jornais, juiz, político, militar, administrador, líder religioso, dirigente educacional, enfim, os cargos de poder que ditam as regras, comandam, julgam e prescrevem as normas de conduta. Apesar dos avanços na superação dessa atribuição de papéis, muito desse quadro continua atual.

Enquanto uma parte dos homens e mulheres ainda se relacionam dentro da perspectiva machista, sustentada pelas instituições mantenedoras da tradição, outra parte busca relacionamentos baseados em respeito e equidade de direitos, sem se ancorarem à ideia de posse ou a dogmas religiosos. Existe um jogo de forças entre esses dois conceitos sociais e talvez estejamos vivendo uma fase transitória para uma nova sociedade em que os pólos masculino e feminino convivam em harmonia.

Indicação de leitura:

Misoginia: você sabe o que é?
7 direitos das mulheres negados ao redor do mundo.
As origens das civilizações e do patriarcado.

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